O Drone do Rio
Número da obra: 053
Título: O Drone do Rio
Dimensões: 140 x 90 cm
Técnica: Acrílica sobre tela
Ano: 2026
Local: Brasil
A obra apresenta uma paisagem observada de cima, como se o olhar fosse deslocado do chão para uma posição aérea e contínua. Esse ponto de vista remete à tecnologia do monitoramento, mas o que se revela não é um mapa neutro: é um território em estado de alerta. O rio, que atravessa verticalmente a composição, assume o papel de eixo vital e de limite simbólico entre áreas de preservação e de destruição.
As regiões verdes, organizadas em padrões rítmicos e repetitivos, sugerem fragmentos de natureza ainda protegidos. Em contraste, as áreas dominadas por cores quentes - vermelhos, laranjas e ocres - evocam a marca da queimada, da terra exposta e da perda recente. Nessas zonas, a paisagem parece ferida: a geometria se fragmenta, a cor se torna agressiva e a sensação de instabilidade se intensifica.
O rio surge como elemento de resistência. Ele não apenas organiza o espaço, mas também atua como fronteira natural que interrompe o avanço da devastação. De um lado, o verde persiste; do outro, a paisagem já transformada pela ação humana. A água funciona, assim, como linha de proteção precária, um limite que salva o que ainda permanece vivo, mas cuja fragilidade é constantemente ameaçada.
A pincelada visível e a construção por planos cromáticos afastam a obra de qualquer ilusão de objetividade cartográfica. Trata-se de um mapeamento crítico, em que a distância do olhar não reduz o impacto da destruição, mas a amplia. O ponto de vista elevado evidencia a escala do dano ambiental e revela como a devastação se espalha de forma sistemática pelo território.
O Drone do Rio propõe uma reflexão sobre a paisagem contemporânea em processo de esgotamento. Observada de cima, a natureza se torna campo de disputa: entre preservação e colapso, entre o que resiste e o que já foi perdido. A obra transforma o rio em símbolo de limite, proteção e urgência - aquilo que ainda separa a vida da terra devastada.
