Tempo de Andar
Número da obra: 049
Título: Tempo de Andar
Dimensões: 30 x 20 cm
Técnica: Acrílica sobre tela
Ano: 2025
Local: Brasil
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Há um momento da vida em que não se corre mais.
Também não se espera.
Apenas se anda.
Tempo de Andar nasce desse instante silencioso em que o movimento deixa de ser urgência e passa a ser escolha. Um casal caminha lado a lado, acompanhado pelo cão, não como quem foge ou chega, mas como quem compartilha o percurso. A presença do outro não é espetáculo - é constância. O gesto é simples, mas carregado de sentido: seguir juntos.
A paisagem ao redor não é naturalista. Montanhas geométricas se organizam em planos definidos, como se o mundo fosse reconstruído pela memória. Cada forma parece pensada, encaixada, sustentada por outra. Nada é aleatório. A geometria cria ordem, mas não elimina o afeto; ao contrário, ela o abriga.
O sol, pleno e circular, paira como testemunha do tempo. Não é um sol dramático nem apressado. Ele marca o ritmo da caminhada, ilumina sem pressionar. O céu e o chão se estruturam em faixas cromáticas que sugerem estrada, território, continuidade. Tudo conduz o olhar para frente, mas sem prometer destino.
Nesta obra, andar é mais importante do que chegar. O caminho não é obstáculo, é estado. O tempo não é linha reta, é permanência. A presença do cão reforça esse vínculo silencioso com o cotidiano, com o simples, com o que acompanha sem exigir explicação.
Tempo de Andar fala de maturidade, de convivência, de seguir apesar das construções e reconstruções do mundo. É uma pintura sobre estar junto no movimento, sobre aceitar o ritmo do passo, sobre compreender que caminhar - quando é compartilhado - já é, por si só, um lugar.
